Y-DNA R1b1a2

A análise de DNA (o Y-DNA com 37 marcadores) indicou que a minha ancestralidade paterna, ou seja a família Trespach e sua ascendência Dressbach, é pertencente ao Haplogrupo R1b1a2 (antes denominado de R1b3, R1b1c e R1b1b2).

Haplogrupo R1b

O Haplogrupo R1b, e seus subgrupos, é o cromossomo Y (Y-DNA) mais frequente na Europa Ocidental. Mais especificamente, com uma frequência muito alta, nas populações na costa do Atlântico e na América do Sul, América do Norte e Austrália devido a imigração europeia.  No Brasil, dos testes realizados até agora para o Projeto DNA Brasil o R1b (especialmente o R1b1a2) também é o mais frequente.
A incidência do R1b é de 70% em algumas partes da Inglaterra (oeste e norte), na Espanha (norte), Portugal (norte), França (oeste), País de Gales e Escócia. Na Irlanda e no País Basco (Espanha) a frequência do R1b é superior a 90%. A incidência desse haplogrupo diminui progressivamente entre as áreas mais distantes da costa atlântica europeia, mas ainda é comum nas áreas centrais do continente. Na Alemanha é o haplogrupo mais frequente (49%). Também é encontrado na Escandinávia e na Itália e com menos frequência na Turquia, países do norte da África e um local isolado na África Subsaariana.

O Haplogrupo R1b originou-se na Ásia Ocidental, mais precisamente na região do Cáucaso às margens do Mar Cáspio, ele é definido pela presença do SNP (sigla para single-nucleotide polymorphism) M343, que foi descoberto em 2004 por Cengiz Cinnioglu em pesquisa na Anatólia (Turquia). Antes de 2002 o R1b era definido como Hg1 e Eu18.  De 2002 a 2005 o R1b era definido pela presença do SNP P25.

Bryan Sykes, em seu livro Blood of the Isles (na versão norte-americana Saxons, Vikings, and Celts: The Genetic Roots of Britain and Ireland), dá o nome de Oisín ao patriarca do clã das populações de R1b, assim como ele havia feito com o DNA mitocondrial em The Seven Daughters of Eve (A Sete Filhas de Eva, no Brasil), onde ele nomeou cada uma das “filhas de Eva” por um prenome. Oisín, segundo a mitologia celta, é um guerreiro e poeta dos Fianna.

R1b1a2 (antes denominado de R1b1b2)

O R1b1a2 é definido pela presença do marcador M269, sendo o mais comum subgrupo do Haplotipo 15 (ou AMH – Atlantic Modal Haplotype). Entre 2003 e 2005 era designado de R1b3 e entre 2005 e 2008 de R1b1c, de 2008 a 2011 como R1b1b2. Uma estimativa recente acredita que o R1b1b2 tenha aparecido entre 5 e 8 mil anos atrás e seu ancestral mais antigo é um indivíduo conhecido como Eurasian Adam, ou Adão Eurasiático, nome cunhado por Stone, Lurguin e Cavalli-Sforza em Genes, Culture, and Human Evolution: A Synthesis (2007), e  que viveu entre 31 e 79 mil anos atrás e do qual descende a maioria das populações não africanas.

Migração do Haplogrupo R1b da África até a Europa Ocidental.

Migração humana da África (Eurasian Adam, M168) até a
Europa Ocidental (R1b, M343). Na Europa o R1b
se dividiu em vários subgrupos, entre eles o R1b1a2.
Vejas as mutações no gráfico logo abaixo.

Pela presença do R1b1a2 na Europa Ocidental, Central e Ilhas Britânicas ele é identificado como o DNA das populações celtas.  Na região de origem da família Dressbach, o estado alemão de Hessen, se encontram muitos sítios arqueológicos celtas, principalmente na região próxima a Frankfurt a.M., como Glauberg, em Glauburg no Wetteraukreis, onde foi encontrado em 1996 o Keltenfürst, a estátua de um princípe celta. Também em Gründau e Biegergemünd realizam-se escavações em sítios celtas. A Bergkirche, igreja onde muitos Dressbach foram batizados e casaram, pode ter sido construída sob ruínas celtas. Veja o quadro comparativo dos testes de DNA na Alemanha com o meu resultado no Deutschland DNA Projekt.

Clique aqui e veja a migração do Y-DNA com todos os haplogrupos em mapa elaborado pelo FTDNA.

Leia mais:
No site do Projeto Genográfico , na página da National Geographic Society, no site do Laboratório Family Tree DNA, responável nos EUA pelo projeto, e também informações sobre o Haplogrupo R1b no Wikpedia.

Referências:

- BALARESQUE, P., BOWDEN, Georgina R., ADAMS, Susan M.,et al. A Predominantly Neolithic Origin for European Paternal Lineages. In Plos Biology. Publicação On-line: 8.1.2010. (arquivo em pdf.).
- CINIIOGLU, C; KING R; KIVISILD, T, et al. Excavating Y-chromosome haplotype strata in Anatolia. In: Revista Hum. Genet. 114: 127–48. Publicação On-line: 29.10.2003. (arquivo em pdf.).
- DIAMOND, Jared. Armas, Germes e Aço – os destinos das sociedades humanas. Rio de Janeiro: Record, 2002.
- SYKES, Bryan. As sete filhas de  Eva - A ciência que revela nossa herança genética. Rio de Janeiro: Record, 2003.
- SYKES, Bryan. Saxons, Vikings, and Celts: The Genetic Roots of Britain and Ireland. Norton: New York, 2006.
- KARAFET TM; MENDEZ FL; MEILERMAN, MB; UNDERHILL, PA, ZEGURA SL; HAMMER MF. New binary polymorphisms reshape and increase resolution of the human Y chromosomal haplogroup tree. In: Genome Research 18: 830–8. Publicação On-line: 10.11.2007. (arquivo em pdf.).
- WATSON, James D. & BERRY, Andrew. DNA – O Segredo da vida. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.