O Lavrador e o Sapateiro

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Dois imigrantes alemães chegam ao sul do Brasil no início do século XIX como simples colonos. Preocupados em sair da condição miserável em que se encontravam na Europa, rapidamente ascendem aos degraus da escada social no Novo Mundo. Buscando legitimar sua condição adquirida com o suor do trabalho no Brasil, “inventam” a história de uma suposta ancestralidade com raiz na nobreza alemã. A história é repassada aos seus descendentes, justificando seus status na sociedade da época, tornando-se parte da “tradição oral”.

Por sua vez, dois casais de imigrantes, na mesma colônia alemã, se envolvem em uma história de ilegitimidade matrimonial onde as esposas são trocadas como mercadoria, “por uma porca, uma gamela e um saco de batatas”. Fora dos padrões da época, a história é mantida somente entre alguns descendentes, e ocultada por quase um século e meio, até que um pastor luterano resolve expor a história em uma obra literária.

Como essas histórias vindas da tradição oral foram repassadas por gerações? Como foram construídas? Sob quais filtros passaram? Quem são seus agentes e quais eram seus interesses? Esses são os personagens e o cenário para a reflexão que O Lavrador e o Sapateiro se propõe a fazer. Trabalho que é o resultado de quase três anos de pesquisa, já apresentado, em parte, em artigos publicados no Brasil (PUC-RS) e Alemanha (Institut für Geschichtliche Landeskunde, da Johannes Gutenberg­-Universität Mainz).

Como anexos estão dois importantes documentos para a historiografia, que visam enriquecer o trabalho de pesquisa:
1) a carta do colono alemão Valentin Knopf, escrita em 1827 do Litoral Norte do RS para os parentes na Alemanha;
2) a crônica Erinnerungen aus dem Anfang der Kolonie Três Forquilhas, do pastor luterano Ernesto Fischer, o Piscator, publicada originalmente em 1966.

O lavrador e o sapateiro

O estudo das relações sociais, dos conteúdos culturais e dos elementos constitutivos da identidade de um determinado grupo, nesse caso formado por imigrantes de uma pequena colônia alemã no sul do Brasil, torna-se instrumento privilegiado de compreensão desta mesma sociedade, onde o historiador, a partir de um ou outro determinado evento, consegue compreender uma estrutura social mais ampla.

O lavrador e o sapateiro é um legítimo trabalho representante da nova safra de pesquisas sobre a Imigração Alemã no Sul do Brasil, a partir dos apontamentos teóricos da Nova História. O texto que segue representa uma pesquisa solitária de mais de três anos, numa feliz disposição, plenamente atendida, de oferecer um contributo à historiografia do Rio Grande do Sul.

Jerri Almeida
Historiador, especialista em diálogos entre História e Literatura do RS.

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