Alemães no Rio Grande do Sul

© Informações extraídas de forma reduzida
dos livros de Rodrigo Trespach

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A Alemanha do início do século 19
A Alemanha do início do século 19 era composta por mais de uma centena de estados dos mais diferentes tamanhos. As últimas alterações eram decorrência do Congresso de Viena (1815) que havia remodelado a Europa de acordo com as potências vencedoras de Napoleão: a Inglaterra, a Áustria, a Rússia e a Prússia. Assim, após essa data, instituiu-se uma confederação, que substituiria o antigo Sacro Império Romano-Germânico da Nação Alemã (Heiliges Römisches Reich Deutscher Nation): a Confederação Alemã (Deutsche  Bund).

O Brasil no início do século 19
Em 1808 a família real portuguesa fugiu para o Brasil para escapar da invasão das tropas napoleônicas que invadiam Portugal que se negara, em apoio à Inglaterra, a continuar com o Bloqueio Continental imposto a todos os países europeus pelo imperador francês. Sete anos depois com a derrota de Napoleão na célebre batalha de Waterloo, em junho de 1815, nada mais impedia o regresso de D. João VI (1767-1826) a Portugal, o que efetivamente ocorreu em 24 de abril de 1821.


Além de soldados também necessitava o país de colonos que viessem para desenvolver o precário sistema colonial brasileiro. Por influência de D. Leopoldina, arquiduquesa da Áustria, com quem D. Pedro se casara em 1817, decidiu-se trazer não só soldados mas também colonos das regiões de língua alemã na Europa.

Von Schaeffer, o agente brasileiro da imigração
Os colonos, e principalmente soldados, de que D. Pedro necessitava estavam a disposição na Europa. E para lá o governo brasileiro enviou o Major Jorge von Schaeffer. A ele coube a missão de angariar colonos e engajar soldados alemães para os Batalhões de Estrangeiros do Brasil. Johann Georg Anton Aloysius Schaeffer nasceu em 7 de janeiro de 1779 em Munnerstadt na Francônia, hoje Baviera.

A atuação de Schaeffer e de Kretzschmar no Hessen-Darmstadt
Schaeffer montou uma rede de sub-agentes espalhados pela Alemanha afim de angariar colonos, e soldados, para a emigração. Como a emigração para a América do Norte já era comum e vinha ocorrendo em grande quantidade bastou que o “Agent d’Affaires Politiques” de D. Pedro I utiliza-se do conhecimento e da disponibilidade desses agentes para ver facilitada sua ação. Johann Wenzeslau Neumann, Joachim David Hinsch e Johann C. Müller trabalhavam em Hamburgo, Luiz F. Kalmann em Bremen e o Dr. Jacob Kretzschmar em Frankfurt.

O Rio Grande do Sul no início da Imigração Alemã
Quando os alemães chegaram ao Rio Grande do Sul a província possuía não mais do que 100.000 habitantes, distribuídos entre o planalto setentrional, o litoral, a depressão central e a campanha. A composição política datava de 1809. Nessa primeira divisão política, a província era dividida em quatro municípios: Santo Antônio da Patrulha, Rio Pardo, Rio Grande e Porto Alegre. O colono alemão ficaria localizado primeiramente apenas em Porto Alegre (São Leopoldo/1824) e Santo Antônio (Três Forquilhas e Torres/1826).

Fundação da colônia alemã de São Leopoldo (1824)
Os soldados que o governo imperial brasileiro necessitava ficavam no Rio de Janeiro e eram distribuídos de acordo com a suas características físicas nos Batalhões de Estrangeiros do exército (2.º e 3º Batalhões de Granadeiros e 27.º e 28.º Batalhões de Caçadores). Os colonos e suas famílias eram enviados para Porto Alegre, onde o governo provincial dava-lhes o destino final: a colônia alemã de São Leopoldo, fundada no local onde se localizava a antiga “Real Feitoria do Linho Cânhamo”.

A data 25 de julho é até hoje comemorada como a data magna da Imigração Alemã no Brasil. O dia denomina, inclusive, inúmeras associações culturais voltadas às tradições germânicas. Mas a verdade é que os primeiros 39 colonos chegaram ao local, o Porto das Telhas, hoje Praça do Imigrante, em São Leopoldo (RS), pelo menos dois dias antes. Eles haviam deixado a capital do império no bergantim Protector no final de junho e chegado a Porto Alegre no dia 18 de julho.

Foram recebidos pelo presidente da província José Fernandes Pinheiro (1774-1847), depois Visconde de São Leopoldo, que, após alguns dias, os encaminhou para a futura colônia. Em carta assinada em 23 de julho de 1824, o presidente informa o Rio de Janeiro que os primeiros colonos já haviam deixado Porto Alegre naquela data com destino a Feitoria. Antes, haviam sido acomodados e assistidos com “carne, farinha, algum legume e tempero de toucinho e sal”.

Por mais que houvesse ocorrido algum atraso devido ao tempo ou ao transporte, é muito provável então que os primeiros colonos tenham chegado a São Leopoldo antes do dia 25, data consagrada por lei estadual de 1924 – ano do centenário. Em 2005 o Congresso Nacional instituiu o dia 25 de julho como o dia Dia Nacional da Etnia Teuto-Brasileira.

Fundação das colônias de Três Forquilhas e de S. Pedro de Alcântara (1826)
A ideia inicial de fundar também uma colônia no litoral, mas precisamente no Presídio das Torres, foi do presidente da província José F. Fernandes Pinheiro. Pinheiro, o futuro visconde de São Leopoldo, já havia organizado a fundação da colônia de São Leopoldo e a colônia de São João das Missões, esta última que redundaria num fracasso completo. Como foi nomeado para ministro da Secretaria de Estado dos Negócios do Império, em novembro de 1825, ele não pode concluir sua obra cabendo aos seus sucessores na presidência da província os Brigadeiros José Egídio Gordilho de Barbuda e Salvador José Maciel o andamento do projeto.

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