O homem desde a pré-história utiliza os conhecimentos de genética, ainda de forma simples e baseado na observação física, na domesticação e no cruzamento seletivo de animais e plantas. Hoje a genética é uma ferramenta importante para a investigação das funções dos genes, isto é, a análise das interações genéticas na espécia humana e suas imbricações como o meio geográfico.
Existem três tipos de exames de DNA aplicáveis ao estudo da ancestralidade humana:
a) o DNA mitocondrial (ou mtDNA), que estabelece uma linhagem materna a partir do indivíduo pesquisado;
b) o Cromossomo Y (ou Y-DNA), que estabelece uma linhagem paterna também a partir do indivíduo pesquisado;
c) e o estudo genômico, que estabelece o peso dos genes na formação das linhagens.
Perguntas frequentes
1- O que é um cromossomo?
Um dos dois cromossomos sexuais, X e Y. O cromossomo Y passa de pai para filho. Mulheres não recebem esse cromossomo. O cromossomo Y sobre mutações com frequência sendo o responsável pela variedade genética da espécie humana . O fato do cromossomo Y corresponder a linha paterna o torna valioso para os estudos de genealogia, uma vez que normalmente segue uma linha familiar ou de sobrenomes.

O DNA encontrado nas mitocôndrias sofre poucas mutações ao longo dos milênios (1 ou 2 a cada 10 ou 20 mil anos), segundo Bryan Sykes, geneticista britânico e autor de As sete filhas de Eva, todo o europeu moderno descende de apenas 7 mulheres ancestrais.
É chamado marcador a localização física (locus) do gene no cromossomo. Há quatro níveis de marcadores no Y-DNA: 12, 25, 37 e 67. Na comparação de dois exames de DNA, por exemplo, quanto maior for o número de marcadores iguais maior será a proximidade genética entre ambos aumentando a chance do ancestral em comum ter vivido em um período recente.
Projeto Genográfico da National Geographic
O Projeto Genográfico é um projeto da National Geographic Society e da IBM. O objetivo é realizar análises de amostras de DNA (Y-DNA e mtDNA) em centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo, incluindo representantes de populações nativas, e mapear o histórico do povoamento da Terra. O maior centro de pesquisas, também com o maior banco de dados, é o laboratório Family Tree DNA em Houston, Texas, nos Estados Unidos. Esse laboratório já realizou mais de 240 mil exames (entre exames Y-DNA e mtDNA) até junho de 2009.
Foram montados em todo o mundo dez laboratórios com a missão de realizar os testes. No Brasil o laboratório se encontra na Universidade Federal de Minas Gerais, no Instituto de Ciências Biológicas, sob a coordenação do Prof. Fabrício R. Santos. Na América do Sul já foram realizados testes com populações nativas, e deverá ser publicado no próximo ano a primeira publicação científica com esses dados. Infelizmente, segundo Santos, não haverá dados das populações brasileiras porque uma Comissão de Ética do Ministério da Saúde ainda não entendeu a importância da história genética.
O banco de dados do Projeto Genográfico abrigará uma das maiores coleções de informações genéticas acerca da população humana jamais reunida e servirá como fonte de pesquisa sem precedentes para geneticistas, historiadores e antropólogos.
O Family Tree DNA permite a criação de grupos, como na genealogia comum, com base nas listagens por sobrenomes. Segundo o site do laboratório há mais de 5,4 mil sobrenomes/famílias listadas.
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Leia mais:
Sobre o Y-DNA no link Y-DNA R1b1a2 ou ainda sobre o Projeto Genográfico, na página da National Geographic Society; Projeto Genográfico para a América do Sul; Laboratório Family Tree DNA, responável nos EUA pelo projeto; Deutschland DNA Projekt ; DFA e Dreisbach DNA Surname.
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Referências:
- DAWKINS, Richard. O gene egoísta. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
- DIAMOND, Jared. Armas, Germes e Aço – os destinos das sociedades humanas. Rio de Janeiro: Record, 2002.
- SYKES, Bryan. As sete filhas de Eva - A ciência que revela nossa herança genética. Rio de Janeiro: Record, 2003.
- WATSON, James D. & BERRY, Andrew. DNA – O Segredo da vida. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
- TRESPACH, Rodrigo. DNA: uma nova ferramenta a serviço da pesquisa histórica. In: TRESPACH, Rodrigo. Borger, Justin, Schmitt e outras famílias de origem germânica. Florianópolis: Secco, 2010.

