Dreisbach nos EUA e em Wittgenstein

O mais antigo ancestral das linhas americanas (EUA) e de Wittgenstein (Alemanha) da família Dreisbach, e suas varaintes, chama-se Abraham, mais conhecido como “Abraham de Balde”. Segundo o Akte M30, guardado nos arquivos do castelo de Berleburg, ele aparece em uma lista de soldados de milícias (“Bürgerwehr Soldat”) em Balde, no ano de 1575, como carabineiro (“Schütze”). Essa milícia foi estabelecida para defender a região após descoberta do minério de ferro e da instalação de uma forja na vila. Não há menção ao sobrenome no documento apenas o Abraham aparece. Isso se deve ao fato de que o uso de sobrenomes ainda não era coisa comum na região de Wittgenstein o que só ocorreria no inicio do século XVII. Conhecemos um filho de Abraham que dá seguimento a sua linhagem e onde já encontramos o sobrenome: “Georgen Treisbach”.

A localidade de Balde

Balde na Idade Média era uma pequena vila de Wittgenstein. Segundo registros, em 1518 Balde era um lugar desprotegido. Vinte anos depois, por volta de 1538, o Conde Johan de Sayn-Wittgenstein-Berleburg, sobre o rio Oder, reconstruiu a vila, e estabeleceu uma fazenda ali. Em 1570 o minério de ferro foi descoberto nas proximidades de Balde e a vila que sempre viveu sustentada com base na silvicultura e agricultura de subsistência adquiriu certo progresso. Balde pertence hoje ao município de Erndtebrück, na comarca de Ansberg, Rheinland-Westfalen.

Georgen Treisbach (1560-1615), filho de Abraham de Balde

Um registro de suínos (“Schweineregister”) de Wittgenstein, datado de 1606, guardado nos arquivos de Wittgenstein em Laasphe contém o nome de “Georgen Treisbach”. Aqui já podemos observar o aparecimento do sobrenome, segundo esse documento Georgen nasceu em 1560 em uma casa conhecida por “Wahnersch”, em Balde.

As vilas de Wittgenstein faziam parte da paróquia de Raumland e infelizmente os registros da Igreja de São Martin, em Raumland, só foram iniciados a partir de 1659, permanecendo assim a dúvida se Georgen era de fato filho de Abraham ou se pôde ter casado com uma filha dele. Como era costume que uma mulher de família tradicional emprestasse seu sobrenome ao esposo não seria anormal que Georgen não fosse filho mas genro de Abraham. De qualquer forma, em um ou outro caso, os descendentes de Georgen são também descendentes de Abraham. Depois que a manutenção dos registros começou em Raumland (1659) tornou-se possível seguir algumas das gerações subsequentes dos Treisbach de Balde, Wittgenstein. Assim, pelos registros da igreja, é possível saber que Georgen Treisbach teve ao menos dois filhos, Johan e Daniel, e uma filha, Angen (ou Engen).

A Wahnersch, casa de Georgen Treisbach
em Balde, Wittgenstein, Alemanha. Foto: DFA.

A casa conhecida como “Wahnersch”, do alemão moderno “Wagners”, ou seja, fabricante de vagão ou carroça, indica que um ou mais dos habitantes precedentes, talvez um antepassado da família, tenha exercido este ofício. Segundo informações contidas no Arquivo de Laasphe é possível saber o número de animais domésticos na vila de Balde no ano de 1606. Georgen Treisbach aparece nesses registros como dono de uma casa (a “Wahnersch”), 11 porcos adultos e dois porcos novos. Nesse período casa, celeiro ou estábulo eram unidos pela mesma estrutura. A Wahnersch original não existe mais, os atuais celeiro e casa foram construídos posteriormente em época não determinada, mas a localização é a mesma. Não existem mais familiares (Treisbach, Dreisbach ou outra grafia), em Balde, mas em cidades e vilas vizinhas.

De Balde a família se espalhou pelo Condado de Wittgenstein. O neto de Abraham, Johan Dreisbach (“Threisbach”) (1580-1636) migrou para Amtshausen onde viveu com a esposa Elisabeth Hain (1580-1636) na casa n.º1 (hoje Bärwingweg 1). Os filhos foram se espalhando por Oberndorf e Steinbach. O bisneto de Johan, Simon Dresbach irá migrar depois para a América do Norte.

Outra grande linha originária de Balde é a de Daniel Dreisbach (1580-1630), segundo filho de Georgen Treisbach. Essa linha migou para Raumland, Martin Dreisbach (1717-1799), que emigrará depois para a América do Norte, é bisneto de Georgen.

Dreisbach no Velho Oeste

Os primeiros Dresbach vindos para a América não tem documentação comprovatória de chegada. Dados modernos acreditam que 8,33% dos passageiros chegados a Filadélfia entre 1727 e 1775 não tenham sido registrados, é possível que entre eles esteja, pelo menos um, membro da família Dresbach. A DFA encontrou no Staatsarchiv Münster duas listas com 388 pessoas de Wittgenstein com permissão oficial para deixar o Condado. As duas listas datam de 15 de junho de 1725. Na primeira lista constam, entre os 243 nomes, os de Hanns Wilhelm Dresbach, Anna Gertraud (possivelmente a esposa), Johan Henrich, Anna Elisabetha e Maria Elisabeth Dresbach (os filhos) vindos de Grossembach, hoje localidade de Laasphe, Rheinland-Westfalen. Na segunda lista, com 145 nomes, constam o de Paul Dreysbach, Catharina (possivelmente a esposa), Johannes, Hermann e Catharina Dreysbach (os filhos), vindos de Hesselbach, hoje localidade de Laasphe.

Hanns Wilhelm Dresbach é considerado o primeiro imigrante alemão com o sobrenome da família a pisar o solo da América, provavelmente em fins de 1725 ou início de 1726. Infelizmente a lista de passageiros do navio em que viajou nunca foi encontrada. Coincidentemente exatos 100 anos depois o primeiro Dressbach aportaria no Brasil.

Segue a lista extraída do The Dreisbach Book, páginas 12, 13 e 14, com os imigrantes chegados em sua maioria no porto de Filadélfia, na Pensilvânia:

Johan Simon Dreisbach. Ancestral de uma das grandes linhas americanas, nasceu em 1698 em Oberndorf, Wittgenstein, e chegou na Filadélfia em 19 de setembro de 1743, vindo pelo porto de Roterdã, na Holanda, no navio Lydia. Ele havia partido de Wittgenstein em 20 de maio do mesmo ano. Casado com Maria Katharina Keller desde 1720. Chegaram nos EUA com os filhos Johann Jost, Johann Adam, Maria Catharina, Alexander, Anna Elisabeth, Simon Jr, Georg William, Johannes e Anna Catharina. Simon Dreisbach é o primeiro integrante da família com documentação comprovada de chegada a América. Ele faleceu em 1785  Northampton, Pensilvânia.

Túmulo de Simon Dreisbach (1698-1785), em
Northampton, Pensilvânia, EUA. Foto: DFA.

Michel Treuspach chegou em 1/9/1749, vindo de Roterdã, na Holanda, no navio Chesterfield, aportou na Filadélfia;
Martin Dreisbach. Também ancestral de outra grande linha americana, nasceu em 1717 em Raumland, Wittgenstein. Trineto de Abraham, chegou a Filadélfia em 24 de agosto de 1750 casado com Anna Eva Hoffmann, vindo de Roterdã no navio Brothers. Ha controvérsias quanto a sua chegada a América, a tradição oral afirma ter ele chegado em 1751 vindo por um porto na Dinamarca, mas há descendentes seus que afirmam que a data é 1746. Parece haver se criado uma situação confusa pelo motivo de que há outro Martin, ou Martinus, que chegou também em 1751 no navio Queen of Denmark (Rainha da Dinamarca), o que teria originado uma interpretação errada quanto ao local de origem, a Dinamarca. Martin faleceu em 1799 Buffalo Valley, Pensilvânia;
Martinus Dreysbach chegou a Filadélfia em 4/10/1751, vindo de Roterdã no Queen of Denmark;
Henrich Dresbach chegou a Filadélfia em 7/11/1754 vindo de Amsterdã, na Holanda, no John & Elizabeth;
Barnard Driesbach e esposa, chegados a Filadélfia em 18/1/1791 vindos de Amsterdã no Philadelphia Packet;
Maria Catharina Tresbach, Anna Margareta, Anna Maria e Catharina vindas de Hamburgo chegam a Filadélfia em 31/8/1798 no Pennsylvania;
Catherine Elisabeth Dreisbach, e a filha Anna Elisabeth Dreisbach chegam em 8/9/1803 a Filadélfia no Fortune. O sobrenome também é grafado “Diesbach” em uma lista;
Georg Dreysbach (com Margaretha, Georg, Catharina, Anna Maria, Marie Elizabeth, Johann Heinrich, Elisabeth Gertraud, Anton, Margaretha e Georg Heinrich) e Georg Heinrich Dreysbach (com Maria Magdalena, e Johannes Georg), vindos de Wittgenstein pelo porto de Amsterdã, chegados a Filadélfia em 8/11/1806 no Atlantic;
Henry Drusback, chegado em 24/9/1828;
Georg Dresbach, escrito também “George Dresback”, chegou em 1840;
A. Dreisback, chegado a São Francisco, Califórnia, em 1852 por causa da Febre do Ouro (“Gold Fever”);
Catherine Driesbach, chegada a Nova York em 22/8/1853 vinda de Lê Havre, na França com a idade de 29 anos originária de Waldeck, Hessen-Nassau;
Wilhelm Dresbach, chegado a Nova Orleans, na Louisiana, em 26/6/1854 vindo de Bremen no Minerva. Depois se mudou para St. Louis, no Missouri;
Christien (Christian) Dreisbach, chegado na Filadélfia em 27/4/1860;
Henry Dresbach, chegado a Filadélfia em 1868.

Depois da chegada a Filadélfia, na Pensilvânia, os Dresbach/Dreisbach começaram a locomover-se em direção ao interior do país. Assim logo já haviam chegado a Ohio, ao sul do Lago Lerie na divisa com o Canadá, no início do século XIX. As principais linhas americanas estabeleceram-se entre o rio Scioto e o rio Ohio, nas proximidades de Chillicothe. Durante o século XIX espalharam-se por outros Condados de Ohio, e pelos estados de Indiana, Illinois, Kentucky, Tenessee e pelas Virginias.

A DFA – Dreisbach Family Association

A associação da família nos EUA é chamada de Dreisbach Family Association. A DFA é conhecida por suas pesquisas na história da família em Wittgenstein e nos EUA. A primeira versão da Associação surgiu em 1910 com Ammon Peter Dreisbach (1850-1935), neto de Henry Dreisbach (1800-1890). A primeira reunião ocorreu em Allentown, na Pensilvânia. Com reuniões freqüentes um jornal sobre a família chegou a ser publicado entre 1913 e 1915. Outra grande realização da Associação nesse primeiro período foi a publicação do History and Genealogy of the Dreisbach Family (História e Genealogia da família Dreisbach), em 1924, pela historiadora Laura M. Helman. Por causa da grande depressão americana na década de 1920 as reuniões anuais encerraram suas atividades.

Em 1987 o Reverendo Charles Dreisbach, descendente do imigrante Simon Dresbach (1698-1785), visitou Wittgesntein na Alemanha e compartilhou as informações e fotos obtidas com alguns familiares. Estava ressurgindo a associação da família. O primeiro encontro da DFA ocorreu em 1995 Kreidersville na Pensilvânia, onde o imigrante Simon Dresbach e muitos de seus descendentes foram sepultados. O segundo encontro ocorreu em Chillicothe, Ohio, entre 26 e 28 de junho de 1998; o terceiro encontro foi realizado em Allentown, próximo a Kreidersville, na Pensilvânia entre 18 e 21 de outubro de 2001; quarto encontro ocorreu em Lewisburg, na Pensilvânia, entre 25 e 27 de junho de 2004; o quinto em Hazelton, Pensilvânia entre 21 e 23 de junho de 2007 e o último entre os dias 18 e 20 de junho de 2010 em Old Behlehem Road, Perkasie, também na Pensilvânia.

Informações extraídas de forma reduzida de:

TRESPACH, Rodrigo. Passageiros no Kranich – História e genealogia da família Dreßbach (Dresbach, Dressbach, Tresbach e Trespach). Porto Alegre: Editora Alcance, 2007.