O Brasão e a Nobreza

O brasão e os nobres von Treisbach

A linhagem nobre von Treisbach inicia-se com “Gottschalcus de Treisbach“, no século XIII, tendo até o século XVI vários representantes ligados a nobreza de Hessen. Entre eles: Hildelbert de Treisbach, Eberhard von Treisbach, Volprecht von Treisbach, Konrad von Treisbach, Johann von Treisbach, Christian von Treisbach e outros. No entanto nenhum atingiu o status que o Chanceler Peter von Treisbach atingiu à serviço de Philipp, o Magnânimo, no início do século XVI.

No entanto, ainda não há nenhuma ligação comprovada entre os nobres von Treisbach e a família Dressbach de Ysenburg e a linha norte-americana com origens em Wittgenstein.

Peter von Treisbach (1455-1527)
Peter von Treisbach é o nome de maior importância na história da família nobre von Treisbach. Filho de Volprecht von Treisbach e irmão de Gottfried, nascido em 1455, aparece matriculado em 1476 em Erfurt onde adquiriu o mestrado sendo inscrito em Heidelberg em 1487 depois de ter conseguido uma bolsa de estudos do Condado. A partir de 16 de junho de 1487 é oficializado como Chanceler do Landgraf Wilhelm I (r. 1471-1493) cargo que já ocupava quando serviu de mediador entre Wilhelm I e Wilhelm II no Baixo Hessen. Entre 1489 e 1494 é Chanceler em Marburg do Landgraf Wilhelm III. Em 1497 é um dos enviados do Arcebispo Hermann de Köln (Colônia) no fechamento do Reichtag (Assembléia Imperial) em Worms. No ano seguinte representa o Arcebispo no Reichtag em Freiburg e é nomeado Conselheiro desse em 1498. No ano seguinte (1499) tem participação com cadeira e voto no Tribunal da Corte Imperial. Em 1500 representa o Landgraf Wilhelm II no fechamento do Reichtag em Augsburg, sendo o mesmo em 1501 na despedida do Regimento Imperial em Nürnberg, assim como no Reichtag em Colônia em 1505.

Foi Conselheiro do Landgraf Wilhelm II em três períodos. Em 1506 é o indicado pelo Landgraf Wilhelm II como integrante da Comissão de Controle por ele estabelecida para executar Testamentos. Foi nomeado como acessor da Câmara de Marburg entre 1503 e  1509.  Em 1503 o Landgraf Wilhelm II lhe cede uma casa do Condado em Marburg na Wettergasse para usufruto no restante de sua vida e de sua esposa Anna. Nos anos de 1504 e 1505 ele aparece muitas vezes como Administrador em Marburg, substituindo Ludwig von Boyneburg. Foi Juiz da Corte de Hessen de 8 de maio a 19 de junho de 1509. Dos dois cargos (de Representante do Senhor Feudal e de Juiz da Corte) ele foi afastado pelos Regentes, depois da morte do Landgraf Wilhelm II sob a justificativa, de que “ele por um ou dez anos ou até mais tempo regeu, sendo que degradou as comunidades da região, por ter sido contra os pobres, ricos… cidades, outras pessoas das comunidades, por meio dos Tribunais, Justiça, concedendo e nomeando com donativos a outros, valorizando com isso sua função… sendo que o mesmo foi provado“. Mas ele continuou sob os favores da Condessa Anna, a Jovem, que ele acompanha juntamente com os Regentes e os Duques da Saxônia em novembro de 1509 ao fechamento da Assembléia em Mühlhäuser. Peter coloca-se então a disposição dos interesses do Landgraf Wilhelm I e de sua esposa a Condessa Anna, a Velha, e em 27 de dezembro de 1510 é por causa disso aprisionado pelos Regentes “e colocado amarrado em um local onde todos o pudessem ver no Castelo de Marburg (“Marburger Schloß in den Stock gesettzt” = literalmente colocado amarrado no pau), por ele e seus dependentes terem se ativado, revoltado e não terem feito nada de bom, depois que os Regentes já os tinham expulsado da região”.

Em 1514 Peter continua aliado a Condessa Anna, a Jovem, e assina a União de Treysaer entre a Condessa e as autoridades de Hessen. Com Philipp, o Magnânimo, volta a ter prestígio, poder e influência. Em 1514, novamente em serviço, participa da Comissão Permanente dos Encarregados da Assembléia de Homberger. Novamente Juiz da Corte (depois da queda de Boyneburg) de 1514 a 1523 e Representante do Senhor Feudal em Lahn em 1518 e Governador de Lahn em 1524. Iniciada nessa época a Reforma Protestante o Senhor de Peter von Treisbach é um dos mais ativos líderes políticos do movimento no entanto ele morre antes da guerra contra o Imperador Carlos V.

Peter von Treisbach foi o último de sua linhagem (masculina) a morrer no ano de 1527. Com ele desaparece o sobrenome entre a nobreza alemã e a partir dessa época surgirão várias linhas com esse sobrenome entre a classe baixa nas regiões de Hessen e na Renânia Vestfália.

Peter von Treisbach foi casado em primeiras núpcias com Anna von Bicken, casamento ocorrido em 19 de junho 1493. Depois da morte desta, casou-se no final de setembro de 1513 com Gertrud von Keudel, filha do Chefe da Corte Bernhard Keudel, que já em 1514 o processou judicialmente, devido a presença de sua amante em Marburg. Gertraud depois da morte de Peter casou-se em 1528 com Georg von Hatzfeld.

Em 2008 Anja Zimmer escreveu e publicou o romance Mitternachtsblüten – das Leben der Anna von Hessen (Flor da meia-noite – a vida de Anna de Hessen), onde Peter é um dos personagens devido a sua ligação com Anna, a Jovem,  de Hessen. Mais informações sobre o livro (em alemão) em Dryas Verlag ou em Frauzimmer Verlag.

As variações ortográficas no nome de Peter von Treisbach
A uniformidade de hoje para o von Treisbach não existia na documentação da época ou mesmo até o século XIX, temos assim alguns exemplos:
• “Peter von Treisbach”, em documento de 1484;
• “Petir von Treysbach”, em documento de 1486;
• “Peter von Dreßpach”, em documento de 1501.
A bibliografia moderna no entanto padronizou e utiliza apenas o von Treisbach, mesmo quando citando documentos onde a ortografia escrita não é essa.

O brasão da família von Treisbach
O brasão da família von Treisbach é chamado de Hirschkopf pois o escudo é composto por uma cabeça de cervo ao centro (de “hirsch” = cervo, “kopf”= cabeça). É um brasão bastante simples com cores em contraste e identificação fácil, comum na heráldica mais antiga.
O Hirschkopf já teria sido mencionado como sendo o brasão de Gotschalcus de Treisbach (“Gottschalcus de Treisbach mit einem Hirschkopf“) em 1257. Também Volpert von Treisbach em 1452 teria usado o Hirschkopf.

No entanto a impressão mais antiga, de 1605, publicado pela Verlag der Verfasser em Nürenberg, na Baviera, é de Johann Siebmachers Wappenbuch von 1605 (Armorial Johann Siebmacher de 1605). O Hirschkopf é apresentado no seu volume 1 em sua página 143 como o brasão de armas da família nobre “V TREISBACH” (= von Treisbach), entre os sobrenomes de origem franca.

Extraído de forma reduzida de: TRESPACH, Rodrigo. Passageiros no Kranich – História e genealogia da família Dreßbach (Dresbach, Dressbach, Tresbach e Trespach). Porto Alegre: Editora Alcance, 2007, p.30 a 38.

O brasão von Treisbach em Johann
Siebmachers Wappenbuch von
1605
, vol.1 pág.143.

O brasão von Treisbach, confeccionado pelo
heraldista Raul Breno Marquardt do Atelier Heráldico,
para o livro Passageiros no Kranich.