Alemães no Litoral Norte Gaúcho

190 Anos

Em novembro de 2016, o Litoral Norte Gaúcho irá celebrar os 190 anos da presença alemã na região. Para comemorarmos a data, até lá vamos, postar aqui artigos sobre a história e a genealogia das famílias que formaram  a antiga colônia. A maioria delas com material inédito, nunca publicado. A ideia é de que, no futuro, possamos juntar a enorme quantidade de material genealógico (e histórico) sobre a colônia evangélico-luterana disperso e torná-lo acessível ao público interessado.

Assista ainda o vídeo da palestra Presença Alemã no Litoral Gaúcho, no Centro Cultural 25 de Julho, de Porto Alegre.

Alemães no Litoral Norte gaúcho – 1826

A ideia de fundar uma colônia com alemães no litoral do Rio Grande do Sul foi do então Presidente da Província, mais tarde Visconde de São Leopoldo, José Feliciano Fernandes Pinheiro (1774-1847). Fernandes Pinheiro já havia organizado a fundação da colônia de São Leopoldo, em 1824. A ideia era construir um grande porto no litoral que facilitasse as comunicações entre a capital da Província e a do Império. O porto igualmente escoaria a produção da colônia para o centro do país. Diga-se de passagem, o porto projetado jamais foi construído.

Como foi nomeado para ministro, da Secretaria de Estado dos Negócios do Império, em novembro de 1825, ele não pode concluir sua obra cabendo aos seus sucessores na presidência da Província, os Brigadeiros José Egídio Gordilho de Barbuda e Salvador José Maciel o andamento do projeto. Foi Gordilho de Barbuda quem recebeu a ordem do Rio de Janeiro, datada de junho 1826, para formar a nova colônia em Torres. Agindo depressa, como determinava a ordem vinda da capital, Gordilho visitou a colônia de São Leopoldo em julho e na mesma época enviou ofício ao Comandante do Distrito das Torres Ten-Cel. Francisco de Paula Soares a quem confiou a direção da colônia. Iniciou-se, então, a seleção dos colonos que iriam formar a nova colônia. Foram escolhidas aquelas famílias que ainda não haviam recebido seus lotes, os solteiros, aqueles colonos que se achavam descontentes com a colônia de São Leopoldo e os que acabavam de chegar à Porto Alegre, na sumaca Generosa. Paula Soares elaborou então duas listas nominais com o total de 422 pessoas (86 famílias e 64 solteiros).

Em primeiro de novembro de 1826, após alguns contratempos, os colonos seguiram em cinco iates com destino à nova colônia. Via Guaíba e Lagoa dos Patos, chegaram à embocadura do Rio Capivari onde continuaram a viagem por terra em carreta de bois. No dia 17 de novembro de 1826 chegaram à pequena localidade de Torres, seu destino final antes de receberem os lotes de terra. Diferentemente de São Leopoldo, essa nova colônia, teve uma característica, foi dividida conforme o credo dos colonos. Ou seja, os 237 evangélicos foram estabelecidos nas margens do Rio Três Forquilhas, por isso denominada Colônia de Três Forquilhas, e os 184 católicos estabelecidos entre a Lagoa do Morro do Forno e do Jacaré, que ficou conhecida como Colônia de São Pedro de Alcântara. Como em São Leopoldo, receberam os colonos lotes de terras de 77 hectares, animais domésticos (vacas, cavalos, porcos), sementes (trigo, arroz, feijão, batata), subsídios e isenção de impostos por dez anos.

Debret Vista dos fundos da Capela, a partir do topo do Morro do Farol, início do século XIX.

Localizada inicialmente na área do município de Santo Antônio da Patrulha, um dos quatro que formavam a então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, a colônia passou, em 1858, à administração de Conceição do Arroio – atualmente Osório. Com a emancipação de Torres, em 1878, a colônia foi dividida, tendo a margem direita do Rio Três Forquilhas, ficado sob administração de Osório e a margem esquerda, a Torres. No entanto, o nome Três Forquilhas foi mantido nos dois lados do rio, sendo um o 3.° Distrito de Osório e o outro o 2.° Distrito de Torres. Durante a Segunda Guerra o governo ordenou a alteração de todos os nomes que lembrassem a colonização alemã. Então o lado pertencente à Osório passou a se denominar Itapeva e depois Itati, nomes indígenas. Três Forquilhas, no lado de Torres, foi denominada Dois Irmãos, Guananazes, Porto Alágio e novamente Três Forquilhas. Três Forquilhas emancipou-se de Torres em 1992. Quatro anos depois foi a vez de Itati se emancipar de Terra de Areia, outro município desmembrado de Osório.

© Informações extraídas de forma reduzida do livro O Lavrador e o Sapateiro, de Rodrigo Trespach

Para conhecer a genealogia das famílias alemãs no litoral gaúcho acesse  Imigrantes Alemães no litoral Norte gaúcho.

Leia o texto em alemão (revista Tópicos, DBG, 03/2011): Deutsche Einwanderer an der Nordküste von Rio Grande do Sul.

O texto no dialeto Kinz-Grenn (Main-Kinzig-Kreis, Hessen): Deutsche Enwanderer oo do Nordkeste vo Rio Grande do Sul.

No dialeto Riograndenser Hunsrückisch (Hunsrück, Rheinland-Pfalz): Deitsche Immigran an der Nordküst von Rio Grande do Sul.

E no dialeto Pomerano (Pomerânia): Düütsch Inwandren na dai Nordköst fon Rio Grande do Sul

Assista ainda o vídeo da palestra Presença Alemã no Litoral Gaúcho, no Centro Cultural 25 de Julho, de Porto Alegre.

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