Black and White: somos diferentes, somos iguais

A edição de abril da revista norte-americana  National Geographic, uma das mais conhecidas e respeitadas do mundo, traz na capa as gêmeas Marcia e Millie Biggs e o título Black and White. A palavra black, sobre a garota mais branca; a palavra white, sobre a menina de pele negra. Uma maneira de expressar que as duas são diferentes, mas iguais.

O subtitulo é These twins, one black and one white, will make you rethink race (“Essas gêmeas, uma negra e outra branca, o farão repensar o conceito de raça”) e a matéria sobre elas, filhas de um pai negro e uma mãe branca, faz parte de uma campanha da revista para explorar como o conceito de “raça” ainda nos une ou nos separa. “A ciência define você por seu DNA. A sociedade o define por sua cor de pele. Qual a sua história?” diz a chamada de National Geographic, que adotou como hashtag #IDefineMe.

Não existe uma raça humana. O conceito de raça é uma construção social baseada na cor de pele. As pesquisa genéticas das últimas décadas já comprovaram que todo ser humano na face da Terra faz parte da mesma espécie (o Homo sapiens) e que suas diferenças físicas são provocadas por diversos fatores. Destruir o preconceito, no entanto, ainda é um desafio não apenas para a ciência.

A edição de abril da National Geographicé uma edição especial, uma autocrítica da revista.  Para este número, a NG contratou John Edwin Mason, da Universidade da Virgínia, especializado em história da fotografia e africana, para revisar exemplares antigos da revista, fundada em 1888 em Washington, e avaliar sua abordagem do ponto de vista racial e étnico. Ele concluiu que durante décadas a National Geographic não mostrou  interesse algum em oferecer uma visão mais rica em diversidade e sem preconceitos, adotando um conceito racial próprio do século XIX. A National Geographic, de acordo com Mason, “reforçou” a partir de sua “imensa autoridade” mensagens com clichês e discriminatórias em um país onde, diz, “os americanos formavam sua ideia do mundo com os filmes do Tarzan”.

Nesse sentido, a edição traz ainda um editorial intitulado For Decades, Our Coverage Was Racist, “por décadas, nossa cobertura foi racista”. Assinado pela editora-chefe da revista, Susan Goldberg, aborda o olhar etno e eurocêntrico e carregado de clichês que a NG teve no passado. A jornalista diz que a revista”até os anos setenta basicamente ignorou pessoas de cor que viviam nos Estados Unidos, raramente identificando-as como algo além de trabalhadores ou empregados domésticos”. E afirma que os indígenas de diferentes lugares do mundo eram retratados como “exóticos”, como “caçadores felizes e nobres selvagens”. Goldberg, a primeira mulher e primeira judia à frente da revista, lamenta: “Algumas das coisas que estão em nossos arquivos nos deixam sem palavras”.

Por Rodrigo Trespach – www.rodrigotrespach

Para ler a matéria sobre as duas gêmeas, acesse These Twins, One Black and One White, Will Make You Rethink Race.

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