Os Románov 1613-1918

Os Románov

Livro de autor inglês revela a vida íntima de tsares e tsarinas durante os 300 anos que a dinastia Románov governou a Rússia.

Em 15 de março de 1917 (2 de março pelo calendário gregoriano), o tsar Nicolau II abdicou ao trono russo. Era o fim de mais de 300 anos de poder da dinastia Románov.* Depois de três séculos e 20 governantes, os Románov deixavam a cena política na Rússia para nunca mais voltar. É a história de uma das mais importantes e conhecidas famílias reais europeias que Simon Sebag Montefiore narra de forma brilhante em Os Románov 1613-1918 (Companhia das Letras, 2016).

O escritor e jornalista londrino Sebag Montefiore é membro da Royal Society of Literature e professor visitante da Universidade de Buckingham. Entre seus livros de sucesso internacional estão, é autor de Jerusalém, a biografia e Stálin: a corte do czar vermelho, vencedor do British Book Awards de melhor livro de história de 2004. 

De Miguel Románov (1596-1645) a Nicolau II (1868-1918), a Rússia passou por personagens políticos importantes na história mundial. Na intimidade, no entanto, muitos deles eram tão excêntricos quanto poderosos. Os Románov tinham “fascínio sinistro, excessos sexuais, sadismo e depravação”, escreveu Sebag Montefiore. Não é por menos. Ao longo de 304 anos, pais torturaram filhos, filhos mataram pais, esposas assassinaram maridos, anões foram empalados, cabeças decapitadas expostas e beijadas, línguas foram cortadas e peles arrancadas às chibatadas. Tudo isso sem contar histórias de tsarinas e princesas lésbicas, ménages à trois, príncipes homossexuais, um monge com um pênis de “escala equina” e um número quase infinito de romances, amantes e traições.

O autor inglês precisou de mais de 900 páginas para contar um pouco dos segredos de cada um dos tsares e tsarinas que passaram por São Petesburgo, Moscou e as dezenas de outras cidades e palácios durante o tempo em que o Románov estiveram no poder.

Ivan, o Terrível (1530-1584), Catarina, a Grande (1729-1796) e Alexandre I (1777-1825)  eram tão poderosos quanto complexos. Catarina governou a Rússia com mão de ferro, mas, como afirmou seu inimigo Frederico II, o Grande, da Prússia, regulada pela “boceta”. Para além da filosofia misógina do prussiano, Catarina de fato agia na política com o mesmo ímpeto que na cama; necessitava de sexo com cortesões e amantes mais jovens do que ela e se frustava com frequência por suas incapacidades ou falta de sexo. Antes de dispensá-los, no entanto, ela os recompensava com muito dinheiro, altos cargos administrativos e palácios suntuosos; tudo de acordo com seu “desempenho” em agradar a tsarina.

Alexandre I bateu Napoleão e teve grande número de amantes (o Congresso de Viena para ele exigiu tanto ação política quanto desempenho sexual), mas ignorava a linda esposa Isabel, que tinha casos lésbicos além de relações com amigos do tsar. Quase nem é preciso mencionar porque Ivan ganhou a alcunha de “Terrível”.

Outro Alexandre, o II (1818-1881), também era obcecado por sexo. Seus médicos tentaram limitar suas sessões de sexo, mas ele insistiu em manter a atividade quatro vezes por dia em todos os cômodos possíveis. As cartas para sua amante depois esposa, Kátia, eram tão picantes quanto as de Catarina ou de outros governantes Románov.

Um boa parte do livro Sebag Montefiore dedica à família do último tsar, Nicolau II. Assim como em toda a obra, muito material original, alguns inéditos, reconstroem a vida íntima de um homem preocupado com a família (principalmente com seu herdeiro hemofílico) e fraco o bastante para deixar se influenciar por homens como o camponês e monge Raspútin. Popular na corte por seu misticismo e perfil brincalhão, dotado de uma sexualidade selvagem que atraia muitas mulheres, Raspútin atraiu também o ódio dos homens mais próximos de Nicolau II. Suas histórias picantes de fornicação com cavalos e orgias não ajudaram a salvar o tsar tampouco o império.

Assim, Os Románov 1613-1918 não pretende ser a biografia oficial dos tsares russos, mas uma narrativa alternativa para compreender o império russo e a família que o governou por mais de três séculos.

Por Rodrigo Trespach

*Ainda que a grafia Romanov (sem o acento agudo) seja popular na língua portuguesa, a editora preferiu usar as regras da nova orografa e utilizar Románov. O mesmo serve para czar, agora tsar, e alguns outros nomes já conhecidos do público brasileiro, com Potemkin grafado como Potiômkin.

Saiba mais sobre a obra no site da Companhia das Letras.
Mais sobre o autor em http://simonsebagmontefiore.com

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