Estado de crise

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Mais um livro do genial sociólogo polonês publicado Zahar – são mas de 30. Desta vez, Zygmunt Bauman tem a parceria do italiano Carlo Bordoni. Estado de Crise é altamente recomendável! 

A crise mais séria da modernidade, com crash da Bolsa de Nova York em 1929, foi habilmente contornada por um Estado intervencionista. Contudo, a crise pela qual o mundo passa hoje é diferente. Em todos os aspectos. Com a globalização, os governos estão cada vez mais impotentes para gerenciar “crises” e os cidadãos cada vez mais insatisfeitos com seus governantes, “um divórcio entre poder e política”, conforme define Bauman. Segundo Carlo Bordoni, o poder seria a “capacidade de levar as coisas a cabo” e a política “a habilidade de decidir que coisas são necessárias  e devem ser feitas”.

O “divórcio” produz a paralisia das instituições políticas e às põe em descrédito diante da população, incapacitando ações ordenadas, necessárias para resolver a crise. É a crise do sistema democrático e do Estado-nação, a fissura entre o local e o global, gerador de um “estatismo sem Estado”. 

Dividido em 3 capítulos – Crise de Estado, Modernidade em crise, Democracia em crise – e escrito de forma simples e direta, com a visão de cada um dos autores, Estado de Crise faz uma análise inédita das questões que a “sociedade líquida” vem enfrentando e ainda terá que enfrentar por muito tempo. A crise, para Baumann e Bordoni, não é passageira.

“Estamos enfrentando a tarefa espantosa de elevar a política e suas apostas a uma altura inteiramente nova e sem precedentes”, resume o polonês. O próprio capitalismo libertou-se dos grande (projetos) industriais (de longo prazo) e voltou-se para mercados financeiros virtuais -geograficamente não identificáveis. O proletariado tornou-se “precariado” e o capitalista não é mais o senhor dos meios de produção.

Uma pena que a sociedade ainda não tenha se dado conta da seriedade da situação e não leia nem discuta sobre, já que os políticos, por natureza, tenham o hábito de se abster de debates profundos quanto a realidade estrutural da política e dos sistemas econômicos vigentes – pensar não é um exercício próprio deles; ou seria o contrário, é próprio deles pensar em si?

Em verdade, quando o poder é administrado por mercados globais e grupos financeiros que escapam ao controle democrático local, a política se torna controversa e opiniões e posicionamentos tornam-se prisioneiros de ideologias e ideólogos. Por quem e para quem agem? Quase um exercício shakespeariano. 

Para quem se propõe a pensar o Estado atual, indispensável.

Por Rodrigo Trespach

Saiba mais sobre a obra Estado de Crise e outras obras de Baumann no site da Zahar.

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